Gary Hamel: Gestão na Era da Criatividade e BetaCodex

Gestão na Era da Criatividade, esse é o título da entrevista que Gary Hamel que a revista HSM de março/abril2010 publicou e que deve ser lida por todos os que se interessam pela gestão nas organizações. Nela, o Prof. Gary Hamel, autor do livro “O Futuro da Administração” defende a idéia de que “estamos entrando em uma nova era econômica, que ele denomina “era da criatividade”, e faltam à gestão as qualidades para enfrentá-la.” A tese de Gary Hamel é: “Passamos de um mundo industrial em que a riqueza provinha da capacidade de acumular e empregar o capital, para um mundo de conhecimento, em que a riqueza era gerada pela capacidade de crescer e empregar habilidades e competências. Agora, avançamos rumo a uma economia criativa, na qual até o próprio conhecimento está se convertendo em produto indiferenciado, cujas vantagens se dissipam muito rapidamente. Nesse contexto, o fator que fará – e marcará – diferença será a velocidade com que se produzirá algo novo. Nesse contexto a gestão deve se reinventar.”

Que qualidades serão essas que a gestão deve ter e como ela se reinventa para enfrentar a “era da criatividade”? E como isso se relaciona com o Código Beta ou Beyond Budgeting?
Para Gary Hamel é necessário apenas humanizar o negócio. Ele discorre exatamente sobre as duas teorias que baseiam o Código Beta: a teoria da natureza humana de Douglas Mcgregor (teoria Y) e a teoria dos mercados (teoria de sistemas).

Vejamos um exemplo do que ele fala que se relaciona com a Teoria Y. Gary Hamel afirma: “Se pretendem vencer no futuro, as organizações tem de encontrar maneiras de energizar as pessoas, para que não apliquem no trabalho apenas suas capacidades, mas também sua paixão e iniciativa. E o que lhes infunde esse compromisso mais profundo? A resposta certa é “alguma causa”, um objetivo maior do que o de fazer dinheiro, maior do que interesses individuais. Gente ainda precisa encontrar sentimento para as coisas – sempre precisará. O ser humano é assim, não adianta ignorar essa característica. Aliás, outras características humanas que não devem ser ignoradas são o desejo de ter alguma autonomia e o desejo de pertencer a uma comunidade pequena, onde existe confiança.” Douglas McGergor com a teoria Y nos diz: as pessoas, nas condições certas, se interessam e desfrutam do seu trabalho. Elas buscarão e aceitarão responsabilidades, são motivadas pelo desejo de realizar seu próprio potencial, se auto-direcionam frente ao um objetivo que aceitam e colocarão à disposição da organização toda a sua criatividade e capacidade de inovar. Não seria exatamente isso que Gary Hamel chama de “humanizar” o negócio?

Agora, vejamos o que Gary Hamel fala sobre a lógica dos mercados: “Cada vez mais, precisamos aplicar a lógica dos mercados às organizações. Os mercados não são infalíveis, são muito mais eficazes do que as hierarquias, quando chega o momento de designar recursos para as novas idéias. Nos mercados, o poder se espalha, e muitas pessoas tomam decisões todos os dias sobre o que comprar ou onde investir. Nas hierarquias, uma minoria tem o monopólio de fixar a estratégia e direção, e isso pode ser fatal em um mundo de fortes descontinuidades. Uma coisa é certa: os problemas sistêmicos não se resolvem a partir de cima, e sim, mediante a experimentação social. Não se pode ver todas as variações e complexidades locais a partir do centro. À medida que o mundo se torna mais incerto, ficam mais difícil prever o futuro. Em resumo, trata-se de criar mais opções e fazer mais experimentações, de um lado, e de ter menos grandes visões e menos estratégias, do outro.É usar mecanismos de mercado em vez de hierarquia.” Basicamente, a teoria de sistemas afirma “ que estes são abertos e sofrem interações com o ambiente onde estão inseridos. Desta forma, a interação gera realimentações que podem ser positivas ou negativas, criando assim uma auto regulação regenerativa, que por sua vez cria novas propriedades que podem ser benéficas ou maléficas para o todo independente das partes.”
Nas organizações, quando há a devolução do poder para a periferia, ou para as equipes/pessoas que estão em contato com o mercado elas são capazes de sentir o “puxe”do mercado e responder o mais rápido e da melhor forma possível, como um sistema vivo. Quem comanda é o puxe do mercado e não a hierarquia.

Obrigada Gary Hamel pela sua contribuição e seja bem vindo ao Beta Codex!!!!
Um abraço a todos!
Valérya Carvalho